“É Só O Mi”: Tradições, Sabores e Práticas Culturais Indígenas na Culinária Nordestina

Autores/as

  • Kaio Márcio da Silva Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Campus Caruaru
  • Rodrigo Fernandez Pinto Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Campus Caruaru

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17957256

Palabras clave:

Culinária nordestina, Cultura indígena, Mandioca, Patrimônio alimentar, Tradições culturais

Resumen

A culinária nordestina destaca-se por sua diversidade e riqueza de sabores, resultado da fusão de diferentes matrizes culturais, entre as quais a indígena ocupa papel essencial. Esta pesquisa tem como objetivo analisar, a partir de uma revisão bibliográfica, a influência das culturas indígenas na formação da culinária nordestina, identificando ingredientes, técnicas e tradições que permanecem enraizados nas práticas alimentares da região. O estudo, do tipo revisão narrativa, reuniu obras e artigos que abordam a alimentação indígena e suas contribuições para a gastronomia local, excluindo textos desvinculados de aspectos históricos. A análise foi organizada em três eixos temáticos: ingredientes, técnicas de preparo e permanência cultural. Os resultados apontam que a mandioca e seus derivados (como a farinha, a goma, o beiju e a tapioca) constituem a base alimentar de origem indígena mais marcante na dieta nordestina. O milho também se destaca, inicialmente difundido pelos povos indígenas e posteriormente adaptado por outras culturas. Entre as técnicas herdadas, ressaltam-se os processos de torrefação e trituração da mandioca, o uso de casas de farinha e a confecção de utensílios em barro. No aspecto cultural, observa-se a permanência de pratos tradicionais e a criação de preparações híbridas, como a pamonha e a canjica, que simbolizam o encontro entre tradições indígenas, africanas e europeias. Conclui-se que as contribuições indígenas ultrapassam a esfera alimentar, constituindo expressão de saberes ecológicos e culturais que moldaram a identidade nordestina. O reconhecimento dessas heranças revela-se fundamental para a valorização do patrimônio imaterial e para o resgate de práticas alimentares sustentáveis, alinhadas ao uso de ingredientes locais e ao respeito às tradições ancestrais.

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Publicado

2025-12-16

Cómo citar

Silva, K. M. da, & Pinto, R. F. (2025). “É Só O Mi”: Tradições, Sabores e Práticas Culturais Indígenas na Culinária Nordestina. Revista BIOMAS - Biodiversidade, Meio Ambiente E Sustentabilidade ISSN 2965-5730, 3(Edição Especial), 100–108. https://doi.org/10.5281/zenodo.17957256