Da Lama ao Caos, Três Décadas Depois: a arte como espelho da resistência e persistência das desigualdades socioambientais na Região Metropolitana de Recife

Autores

  • Maria Eduarda da Silva Santos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Campus Caruaru
  • Isadora de Melo Pires Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Campus Caruaru
  • Maria Isabel de Farias Sales Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Campus Caruaru
  • Ronald de Santana da Silva Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Campus Caruaru

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17957466

Palavras-chave:

Manguebeat, Populações Ribeirinhas, Saneamento Básico, Resiliência Comunitária

Resumo

Este artigo propõe um retrospecto da situação socioambiental das populações ribeirinhas na Região Metropolitana do Recife, decorridos trinta anos do lançamento do álbum Da Lama ao Caos (1994), de Chico Science & Nação Zumbi. O estudo toma a obra do Manguebeat como ponto de partida crítico para analisar a persistência e as transformações dos desafios vivenciados por esses povos. Foi nesse cenário de marginalização que a força expressiva do Manguebeat emergiu, dando voz às periferias esquecidas e denunciando a falta de saneamento, a ausência de políticas públicas e o desprezo pelas condições de vida à beira dos rios urbanos. O objetivo geral do trabalho é investigar, sob uma perspectiva teórica e documental, como a realidade dessas populações evoluiu (ou não) nas últimas três décadas, e de que forma a arte e a cultura continuam sendo ferramentas de denúncia, resistência e visibilidade. A metodologia adotada é qualitativa e documental, baseada na triangulação de dados censitários (IBGE, 2023), reportagens de jornais digitais pernambucanos e análise cultural das letras do Manguebeat. Os resultados demonstram que problemas crônicos como a ausência de saneamento básico (que afeta 35% das residências em áreas ribeirinhas de Pernambuco, conforme o IBGE (2023)) e a insegurança habitacional em áreas de risco persistem. A análise, focada na comunidade de Rio Doce, Olinda, revela, contudo, a resiliência e a crescente mobilização comunitária. Essa mobilização utiliza plataformas digitais para ecoar o chamado à organização e à resistência, tal qual na máxima de Da Lama ao Caos: "que eu me organizando posso desorganizar" (SCIENCE; NAÇÃO ZUMBI, 1994). Conclui-se que a obra de Chico Science e Nação Zumbi não é apenas um registro histórico, mas um espelho que reflete as contradições do presente, onde a luta por dignidade e justiça socioambiental continua.

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Publicado

2025-12-16

Como Citar

Santos, M. E. da S., Pires, I. de M., Sales, M. I. de F., & Silva, R. de S. da. (2025). Da Lama ao Caos, Três Décadas Depois: a arte como espelho da resistência e persistência das desigualdades socioambientais na Região Metropolitana de Recife. Revista BIOMAS - Biodiversidade, Meio Ambiente E Sustentabilidade ISSN 2965-5730, 3(Edição Especial), 119–129. https://doi.org/10.5281/zenodo.17957466